Arquivo da categoria: Crise hídrica

Estado declara crítica situação da Bacia Hidrográfica do Alto Tietê

Segundo portaria, ações de caráter emergencial deverão ser adotadas. Presidente de Subcomitê quer debater consequências de medida.

11457070

O Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE) publicou uma portaria em que classifica como crítica a situação hidríca na Bacia do Alto Tietê. Segundo as informações do Diário Oficial, com a medida, ações deverão ser adotadas para assegurar a disponibilidade hídrica. O prefeito de Salesópolis, Benedito Rafael da Silva, presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica do Alto Tietê, disse nesta quarta-feira (19) que quer uma reunião com o DAEE e a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) para discutir as consequências dessa classificação. Silva acrescentou que não havia sido informado sobre essa medida.

O Sistema Alto Tietê opera nesta quarta-feira (19) com 15,4% de sua capacidade de acordo com dados da  Sabesp. Essa é a 21ª queda consecutiva do sistema. O mês teve a queda mais acentuada do ano, com 2,8 pontos percentuais até esta quarta. Em 19 dias, choveu apenas 1,91% do esperado para agosto.

Na portaria publicada na terça-feira (18), de número 2617, o DAEE justifica que a medida foi tomada por conta do baixo índice de chuva nos reservatórios que abastecem a Região Metropolitana de São Paulo, considerando ainda a continuidade em 2015 da pior estiagem nessa região.

O DAEE determina ainda que torna-se uma infração a utilização de recursos hidrícos em desacordo ou sem a autorização do departamento.
TEXT-HERE-3

O órgão informou nesta quarta-feira que “não tem nada a acrescentar além do que está exposto na portaria DAEE – 2617”.

O prefeito Benedito Rafael quer discutir as consequências que a portaria pode trazer para o Alto Tietê. “Para a nossa região, o fornecimento de água para a agricultura é prioridade. Sabemos que em situações de crise, o fornecimento público é prioritário. Em segundo, vem os animais e, em terceiro a agricultura. Além da importância para a economia da nossa região, a agricultura também é responsável pelo fornecimento de alimentos para São Paulo. ”

 

Fonte: G1

Anúncios

Grande SP vai gelar no fim de semana

Mais frio e chuva à vista

Uma forte frente fria avança para a o Brasil nesta sexta-feira. Esta frente fria chega com potencial para provocar chuva volumosa e acentuada queda da temperatura em várias áreas do Estado de São Paulo, incluindo a cidade de São Paulo. Como junho, julho é um mês historicamente de pouca chuva. A média normal não passa dos 45 mm. Os efeitos da nova frente fria começam a ser sentidos na sexta-feira, 3 de julho, e a chuva deve ocorrer em praticamente todas as regiões paulistas. Pode chover forte também na capital e na Grande São Paulo. Entre a sexta-feira, 3, e o sábado, 4 de julho, o volume de chuva sobre a cidade de São Paulo poderá ser igual ou maior do que média de chuva para todo o mês de julho.

Frente fria pode provocar chuva moderada a forte sobre o Cantareira

 

Possibilidade de recorde de frio

Você gosta do frio ou calor? Prepare-se para o frio que vem por aí! Os gelados ventos da forte massa polar que vem com a nova frente fria começam a chegar sobre a capital paulista na tarde e sexta-feira e em fortes rajadas. Até o domingo, as rajadas polares podem chegar a quase 50 km/h. A combinação do ar polar e da falta do sol vão derrubar a temperatura. O primeiro fim de semana de julho promete ser gelado, com grande sensação de frio. A capital e outros municípios da Grande São Paulo poderão bater novos recordes de frio e registrar a madrugada e a tarde mais fria do ano.

São Paulo (SP) Av Paulista (Foto: Robson Fernandjes -Fotos Públicas)

Fonte: Climatempo

Elite paulistana recorre a poços artesianos para driblar crise hídrica

Moradores dos Jardins, um dos metros quadrados mais caros de São Paulo, perfuram os terrenos de mansões em busca de água para, ao menos, lavar carros e regar plantas

A socialite e empresária Roberta Nahas construirá um poço artesiano no quintal da casa de sua casa no bairro dos Jardins – Mário Leite / O Globo

Se depender dos moradores das áreas nobres de São Paulo, a crise hídrica passará ao largo de suas casas. A nova moda nos Jardins, região com um dos metros quadrados mais caros da capital paulista, é furar poços artesianos para garantir que não falte água, pelo menos para as plantas, limpeza de pátios e lavagem de veículos. O custo de instalação começa em torno de R$ 30 mil e pode chegar a R$ 150 mil, segundo empresas especializadas, que incluem nesse valor todo o gasto com burocracia.

— Coloquei até placa na porta de casa, para evitar a patrulha dos que ficam preocupados porque estamos molhando o jardim. É água de reuso — conta o engenheiro civil Roberto Daud, de 80 anos, que pagou R$ 15 mil há dois meses para instalar um poço no fundo de casa e outros R$ 15 mil pela tubulação adicional e bomba para dispersão.

A água que brota do chão alimenta plantas, lava o pátio interno da casa e os carros do engenheiro — um Citroën, um Mercedes 350 e um Hyundai Azera. Por ser extraída de área não potável do lençol freático, a água não pode ser consumida por ele, a mulher e as duas empregadas da casa.

— Para fazer isso, são mais R$ 30 mil. Moro há 40 anos nos Jardins, já teve época em que faltou água. Mas a situação agora é violenta — diz.

DICA NO SALÃO DE BELEZA

A mãe da empresária de moda Roberta Nahas decidiu fazer um poço para enfrentar a crise hídrica e buscou indicação de mão de obra no salão de beleza, que já vinha garantindo a água por métodos próprios. Ela, porém, trocou de fornecedor e marcou a instalação para a próxima semana.

— Às vezes fico pensando se isso é um pouco de exagero. Até que ponto o lençol freático pode secar se todos resolverem fazer isso ao mesmo tempo? — indaga-se a empresária.

Roberta ainda não tem poço artesiano em casa. Sabe que essa seria uma opção para garantir, de forma um pouco mais sustentável, a sobrevivência dos pés de jabuticaba que enfeitam o jardim da mansão onde vive com o marido, dois filhos e as empregadas. Para compensar a água que jorra na árvore, determinou aos empregados que não lavem os quatro carros na garagem, nem o pátio do jardim. Ela também orientou os empregados a usarem baldes para lavar o chão.

— Vai ter uma hora em que a água não vai chegar, a notícia diária é de redução do abastecimento. Quem pode tem buscado construir poço artesiano em casa, algo que dá para fazer de imediato — diz o diretor da associação de moradores AME Jardins, João Maradei.

O maior entrave para perfurar postos na capital é a espera pela liberação de autorização do Departamento de Águas e Energia Elétrica de São Paulo, que varia de 60 a 80 dias. Mas a proliferação expressa de poços nos Jardins nos últimos dois meses mostra que, com jeito, não é necessário esperar tanto para ter um poço.

 

Fonte: O Globo

10 mitos sobre a crise hídrica

seca

Por Gabriel Kogan (arquiteto e jornalista, formado na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP; desenvolveu mestrado em Gerenciamento Hídrico no UNESCO-IHE (Holanda), onde pesquisou as origens históricas das enchentes em São Paulo).

Gostaria de desmistificar alguns pontos sobre a crise hídrica em SP, assunto que tangencia minhas pesquisas acadêmicas.

1- “Não choveu e por isso está faltando água”. Essa conclusão é cientificamente problemática. Existem períodos chuvosos e de estiagem, descritos estatisticamente. É natural que isso ocorra. A base de dados de São Paulo possibilita análises precisas desde o século XIX e projeções anteriores a partir de cálculos matemáticos. Um sistema de abastecimento eficiente precisa ser projetado seguindo essas previsões (ex: estiagens que ocorram a cada cem anos).

2- “É por causa do aquecimento global”. Existem poucos estudos verdadeiramente confiáveis em São Paulo. De qualquer forma, o problema aqui parece ser de escala de grandeza. A não ser que estejamos realmente vivendo uma catástrofe global repentina (que não parece ser o caso esse ano), a mudança nos padrões de chuva não atingem porcentagens tão grandes capazes de secar vários reservatórios de um ano para o outro. Mais estudadas são as mudanças climáticas locais por causa de ocupação urbana desordenada. Isso é concreto e pode trazer mudanças radicais. Aqui o problema é outro: as represas do sistema Cantareira estão longe demais do núcleo urbano adensado de SP para sentir efeitos como de ilha de calor. A escala do território é muito maior.

Seca revela carros abandonados no Sistema Cantareira

Seca revela carros abandonados no Sistema Cantareira

3- “Não choveu nas Represas”. Isso é uma simplificação grosseira. O volume do reservatório depende de vários fluxos, incluindo a chuva sobre o espelho d’água das represas. A chuva em regiões de cabeceira, por exemplo, pode recarregar o lençol freático e assim aumentar o volume de água dos rios. O processo é muito mais complexo.

4- “As próximas chuvas farão que o sistema volte ao normal”. Isso já é mais difícil de prever, mas tudo indica que a recuperação pode levar décadas. Como sabemos, quando o fundo do lago fica exposto (e seco), ele se torna permeável. Assim a água que voltar atingir esses lugares percola (infiltra) para o lençol freático, antes de criar uma camada impermeável. Se eu fosse usar minha intuição e conhecimento, diria que São Paulo tem duas opções a curto-médio prazo: (a) usar fontes alternativas de abastecimento antes que possa voltar a contar com as represas; (b) ter uma redução drástica em sua economia para que haja diminuição de consumo (há relação direta entre movimento econômico e consumo de água).

Mãe e filho registram em fotos o antes e depois da seca na represa Atibainha, em Nazaré Paulista, integrante do sistema Cantareira (SP). Em uma das fotos, tirada em abril, a administradora Ingrid Venturini, 31, se divertia com os pés na água ao lado do filho Breno, 3. Já em outubro, foto tirada no mesmo lugar revela cenário com água distante e o deque rodeado por areia

Mãe e filho registram em fotos o antes e depois da seca na represa Atibainha, em Nazaré Paulista, integrante do sistema Cantareira (SP). Em uma das fotos, tirada em abril, a administradora Ingrid Venturini, 31, se divertia com os pés na água ao lado do filho Breno, 3. Já em outubro, foto tirada no mesmo lugar revela cenário com água distante e o deque rodeado por areia

5- “Não existe outras fontes de abastecimento que não as represas atuais”. Essa afirmação é duplamente mentirosa. Primeiro porque sempre se pode construir represas em lugares mais e mais distantes (sobretudo em um país com esse recurso abundante como o Brasil) e transportar a água por bombeamento. O problema parece ser de ordem econômica já como o custo da água bombeada de longe sairia muito caro. Outra mentira é que não podemos usar água subterrânea. Não consigo entender o impedimento técnico disso. O Estado de São Paulo tem ampla reserva de água subterrânea (como o chamado aquífero Guarani), de onde é possível tirar água, sobretudo em momentos de crise. Novamente, o problema é custo de trazer essa água de longe que afetaria os lucros da Sabesp.

6- “O aquífero Guaraní é um reservatório subterrâneo”. A ideia de que o aquífero é um bolsão d’água, como um vazio preenchido pelo líquido, é ridiculamente equivocada. Não existe bolsão, em nenhum lugar no mundo. O aquífero é simplesmente água subterrânea diluída no solo. O aquífero Guaraní, nem é mesmo um só, mas descontínuo. Como uma camada profunda do lençol freático. Em todo caso, países como a Holanda acham o uso dessas águas tão bom que parte da produção superficial (reservatórios etc) é reinserida no solo e retirada novamente (!). Isso porque as propriedades químicas do líquido são, potencialmente, excelentes.

avisofolha

7- “Precisamos economizar água”. Outra simplificação. Os grandes consumidores (indústrias ou grandes estabelecimentos, por exemplo) e a perda de água por falta de manutenção do sistema representam os maiores gastos. Infelizmente os números oficiais parecem camuflados. A seguinte conta nunca fecha: consumo total = esgoto total + perda + água gasta em irrigação. Estima-se que as perdas estejam entre 30% e 40%. Ou seja, essa quantidade vaza na tubulação antes de atingir os consumidores. Água tratada e perdida. Para usar novamente o exemplo Holandês (que estudei), lá essas perdas são virtualmente 0%. Os índices elevados não são normais e são resultados de décadas de maximização de lucros da Sabesp ao custo de uma manutenção precária da rede.

8- “Não há racionamento”. O governo está fazendo a mídia e a população de boba. Em lugares pobres o racionamento já acontece há meses, dia sim, dia não (ou mesmo todo dia). É interessante notar que, historicamente, as populações pobres são as que sempre sentem mais esses efeitos (cito, por exemplo, as constantes interrupções no fornecimento de água no começo do século XX nos bairros operários das várzeas, como o Pari). A história se repete.

Imagens mostram ponte em São João Batista do Glória antes, em 2011 e agora, em 2014 (Foto: Reprodução Amigos do Rio Grande)

Imagens mostram ponte em São João Batista do Glória antes, em 2011 e agora, em 2014 (Foto: Reprodução Amigos do Rio Grande)

9- “É necessário implantar o racionamento”. Essa afirmação é bem perigosa porque coloca vidas em risco. Já como praticamente todas as construções na cidade têm grandes caixas d’água, o racionamento apenas ataca o problema das perdas da rede (vazamentos). É tudo que a Sabesp quer: em momentos de crise fazer racionamento e reduzir as perdas; sem diminuição de consumo, sem aumentar o controle de vazamentos. O custo disso? A saúde pública. A mesma trinca por onde a água vaza, se não houver pressão dentro do cano, se transformará em um ponto de entrada de poluentes do lençol freático nojento da cidade. Estaremos bebendo, sem saber água poluída, porque a poluição entrou pela rede urbana. Por isso que agências de saúde internacionais exigem pressão mínima dentro dos canos de abastecimento.

crise_hidrica_0

10- “Precisamos confiar na Sabesp nesse momento”. A Sabesp é gerida para maximizar lucros dos acionistas. Não está preocupada, em essência, em entregar um serviço de qualidade (exemplos são vários: a negligência no saneamento que polui o Rio Tietê, o uso de tecnologia obsoleta de tratamento de água com doses cavalares de cloro e, além, da crise no abastecimento decorrente dos pequenos investimentos no aumento do sistema de captação). A Sabesp é apenas herdeira de um sistema que já teve várias outras concessionárias: Cantareira Águas e Esgotos, RAE, SAEC etc. A empresa tem hoje uma concessão de abastecimento e saneamento. Acredito que é o momento de discutir a cassação dessa outorga, uma vez que as obrigações não foram cumpridas. Além, é claro, de uma nova administração no Governo do Estado, ao menos preocupada em entregar serviços público e não lucros para meia dúzia apenas.

Enfim, se eu pudesse resumir minhas conclusões: a crise no abastecimento não é natural, mas sim resultado de uma gestão voltada para a maximização de lucros da concessionária e de um Governo incompetente. Simples assim, ou talvez, infelizmente, nem tanto.

 

Fonte: Cosmopista

%d blogueiros gostam disto: