Elite paulistana recorre a poços artesianos para driblar crise hídrica

Moradores dos Jardins, um dos metros quadrados mais caros de São Paulo, perfuram os terrenos de mansões em busca de água para, ao menos, lavar carros e regar plantas

A socialite e empresária Roberta Nahas construirá um poço artesiano no quintal da casa de sua casa no bairro dos Jardins – Mário Leite / O Globo

Se depender dos moradores das áreas nobres de São Paulo, a crise hídrica passará ao largo de suas casas. A nova moda nos Jardins, região com um dos metros quadrados mais caros da capital paulista, é furar poços artesianos para garantir que não falte água, pelo menos para as plantas, limpeza de pátios e lavagem de veículos. O custo de instalação começa em torno de R$ 30 mil e pode chegar a R$ 150 mil, segundo empresas especializadas, que incluem nesse valor todo o gasto com burocracia.

— Coloquei até placa na porta de casa, para evitar a patrulha dos que ficam preocupados porque estamos molhando o jardim. É água de reuso — conta o engenheiro civil Roberto Daud, de 80 anos, que pagou R$ 15 mil há dois meses para instalar um poço no fundo de casa e outros R$ 15 mil pela tubulação adicional e bomba para dispersão.

A água que brota do chão alimenta plantas, lava o pátio interno da casa e os carros do engenheiro — um Citroën, um Mercedes 350 e um Hyundai Azera. Por ser extraída de área não potável do lençol freático, a água não pode ser consumida por ele, a mulher e as duas empregadas da casa.

— Para fazer isso, são mais R$ 30 mil. Moro há 40 anos nos Jardins, já teve época em que faltou água. Mas a situação agora é violenta — diz.

DICA NO SALÃO DE BELEZA

A mãe da empresária de moda Roberta Nahas decidiu fazer um poço para enfrentar a crise hídrica e buscou indicação de mão de obra no salão de beleza, que já vinha garantindo a água por métodos próprios. Ela, porém, trocou de fornecedor e marcou a instalação para a próxima semana.

— Às vezes fico pensando se isso é um pouco de exagero. Até que ponto o lençol freático pode secar se todos resolverem fazer isso ao mesmo tempo? — indaga-se a empresária.

Roberta ainda não tem poço artesiano em casa. Sabe que essa seria uma opção para garantir, de forma um pouco mais sustentável, a sobrevivência dos pés de jabuticaba que enfeitam o jardim da mansão onde vive com o marido, dois filhos e as empregadas. Para compensar a água que jorra na árvore, determinou aos empregados que não lavem os quatro carros na garagem, nem o pátio do jardim. Ela também orientou os empregados a usarem baldes para lavar o chão.

— Vai ter uma hora em que a água não vai chegar, a notícia diária é de redução do abastecimento. Quem pode tem buscado construir poço artesiano em casa, algo que dá para fazer de imediato — diz o diretor da associação de moradores AME Jardins, João Maradei.

O maior entrave para perfurar postos na capital é a espera pela liberação de autorização do Departamento de Águas e Energia Elétrica de São Paulo, que varia de 60 a 80 dias. Mas a proliferação expressa de poços nos Jardins nos últimos dois meses mostra que, com jeito, não é necessário esperar tanto para ter um poço.

 

Fonte: O Globo

Anúncios

Publicado em 27 de janeiro de 2015, em Comportamento, Crise hídrica, Meio Ambiente, São Paulo e marcado como , , , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: