Quem desenha as estradas?

Rodovia dos Imigrantes: considerada uma obra-prima da engenharia

Rodovia dos Imigrantes: considerada uma obra-prima da engenharia

Obra divina não é. Fazer uma estrada é uma obra complexa, que envolve profissionais de várias áreas, como engenheiros, geólogos, arquitetos e economistas. Para criar uma, primeiro é preciso saber se a obra será de fato útil e se sua execução é econômica e socialmente viável.
Em caso positivo, entra-se no segundo ponto: quanto vai custar a brincadeira. “São considerados todos os fatores que influenciam o custo total da obra”, explica José Leomar Fernandes Júnior, do Departamento de Engenharia de Transportes da USP de São Carlos. Nesse ponto, é preciso estimar a grana não só da construção (desapropriações, asfalto, terraplanagem, mão de obra etc. etc.), mas da manutenção da estrada e dos motoristas, que arcam com despesas de combustível, pneus e tempo de viagem.

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Se a estimativa de fluxo for pequena, não é necessário investir muito em fazer a melhor estrada do mundo. Mas se a previsão é de fluxo intenso, do tipo “estrada-para-paulistano-ir-para-a-praia”, não é uma boa ideia economizar. Por exemplo, para diminuir as rampas, a alternativa é construir túneis e viadutos ou fazer cortes e aterros altos. Isso encarece muito a estrada, mas reduz os custos pros motoristas. “Por isso é preciso estimar o volume de tráfego: só vai compensar construir túneis e viadutos quando o volume de tráfego for elevado, fazendo com que a redução do custo de operação dos veículos supere os custos de construção”, resume Fernandes.

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O desenho da pista e o vaivém das curvas são influenciados pela geografia do terreno (relevos, rios, solo) e por fatores socioambientais, como desapropriações e interferências no ecossistema. Ao desenhar as curvas, os especialistas buscam reduzir os custos de terraplanagem e drenagem, desviar de morros, obstáculos naturais, áreas protegidas ou locais com alto custo de desapropriação.

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A estrada precisa estar em harmonia com a paisagem do local. As curvas circulares e as que fazem a transição entre um trecho reto e outro circular também são muito bem calculadas para permitir que os carros, seguindo a velocidade da pista, não derrapem, respeitem a faixa e tenham visibilidade do que está adiante. Por isso você tem essa sensação de que ela sempre esteve ali.
Isso tudo, é claro, levando em conta que todas as partes envolvidas na obra não são corruptas. Nesse caso, há outros custos mais necessários, como piscinas e helicópteros.

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Fonte: Superinteressante

 

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Publicado em 22 de julho de 2014, em Curiosidades, Engenharia e marcado como , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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