São Paulo 460 anos | Minhocão

Avenida São João, repleta de cinemas e teatros, conheceu a degradação com o elevado

Avenida São João antes da construção do elevado. Antonio Aguillar/Estadão

Avenida São João antes da construção do elevado. Antonio Aguillar/Estadão

Nos anos 1930 e 1940 a São João, no centro, era a ‘Quinta Avenida’ do paulistano e um dos redutos da boemia da cidade. Além de grande número de cinemas, o local contava com boas casas residenciais e lojas comerciais requintadas. No dia 1 de abril de 1958, o Estado trazia o anúncio de lançamento do edifício Lucerna,“Moderníssimos apartamentos em plena Cinelândia”, era o apelo da propaganda para a então valorizada região central da cidade de agitada vida cultural que viria a perder o glamour com a construção do Minhocão.

Os melhores cinemas da cidade ficavam na Avenida São João e Ipiranga, no centro

Os melhores cinemas da cidade ficavam na Avenida São João e Ipiranga, no centro

Alguns dos bairros ao redor do Minhocão, como Santa Cecília e Higienópolis, foram escolhidos pelos barões do café para a construção de mansões e palacetes no início do século 20. Casarões, já com garagens, eram ocupados por pessoas de classe média alta. Nas ruas, cavalheiros de terno e mulheres bem vestidas. Mas no fim da década de 1950, com a avenida Paulista já recebendo os primeiros edifícios e conjuntos comerciais, a região começou a dar os primeiros sinais de deterioração. A construção do Minhocão acentuou a degradação da região e provocou drástica desvalorização imobiliária. Antes mesmo da inauguração, as placas de ‘vende-se’ lotavam as fachadas dos prédios da São João. Foi o que registrou a reportagem “Elevado, o triste futuro da avenida”, publicada em 1 de dezembro de 1970.

A construção do elevado em abril de 1970. Arquivo/Estadão

A construção do elevado em abril de 1970. Arquivo/Estadão

Presente. O projeto do elevado São João teve origem na administração do prefeito Faria Lima (1965/1969). Foi apresentado a ele pelo arquiteto Luiz Carlos Gomes Cardim Sangirardi, que o recusou. O projeto foi retomado pelo prefeito biônico Paulo Maluf. Foi construído a toque de caixa, em apenas 11 meses. Maluf tinha pressa, seu mandato era de apenas dois anos, com era o de todos os prefeitos indicados durante a ditadura militar. Em menos de uma ano a população viu surgir uma obra monumental que passava entre os prédios e recebera o nome de Elevado Costa e Silva, em homenagem ao segundo presidente da ditadura militar. A via elevada, que prometia uma ligação rápida entre as zonas leste e oeste, foi entregue aos paulistanos no dia 25 de janeiro de 1971 – como um ‘presente’ do prefeito. Curiosamente, naquele dia um carro quebrado provocou congestionamento, como acontece até hoje (ver foto abaixo).

O Estado de S. Paulo - 24/1/1971

O Estado de S. Paulo – 24/1/1971

A cidade ganhava uma via rápida, porém, perdia uma área com várias referências históricas. “Quem diz que o Minhocão é útil?”, perguntava o Estado dois dias antes da inauguração. “Em São Paulo foi construído o maior viaduto da América Latina, que acompanha as depressões e elevações do terreno, fazendo com que nos vejamos numa verdadeira montanha russa. Mas São Paulo não é só zona oeste”, dizia o jornal. E concluía, “para a cidade, seria mais rentável o metrô” (que viria a ser inaugurado três anos depois)”.

Minhocão ficou congestionado no primeiro dia. Foto publicada na edição de 26/1/1971 Acervo/Estadão

Minhocão ficou congestionado no primeiro dia. Foto publicada na edição de 26/1/1971 Acervo/Estadão

 

Fonte: Estadão

 

 

 

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Publicado em 21 de janeiro de 2014, em Curiosidades, São Paulo e marcado como , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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